Calculadora de Valor da Hora

Quanto cobrar por hora sem trabalhar de graça: a conta junta a sua retirada, os custos do negócio, os impostos e as horas que nenhum cliente paga.

A retirada é o que você quer no seu bolso, antes do imposto. Custos fixos são os do negócio: internet, contador, software, aluguel de sala. O tempo cobrado do cliente é a sua taxa de ocupação: o resto do dia vai para orçamento, reunião que não fecha, nota fiscal e cobrança. Impostos e taxas: alíquota do Simples ou o DAS do MEI, mais comissão de plataforma e maquininha, em % do que o cliente paga. A margem é a reserva para equipamento, capacitação e mês fraco.

A conta que quase todo mundo faz errado

O jeito comum de chegar no valor da hora é pegar quanto se quer ganhar por mês e dividir por 160. Quem quer R$ 5.000 conclui que a hora vale R$ 31,25, cobra isso, trabalha o mês inteiro e no fim das contas fica com bem menos que R$ 5.000 no bolso.

Faltaram três coisas nessa divisão. O imposto sobre o que você fatura. Os custos que o negócio tem mesmo quando você não vende nada. E, principalmente, as horas que existem no seu dia mas ninguém contrata: responder orçamento, ir a reunião que não fecha, emitir nota, aprender ferramenta nova, correr atrás de quem não pagou.

Com os mesmos R$ 5.000 de retirada, R$ 800 de custos, 6% de imposto e uma agenda em que 65% do tempo é cobrável, a hora precisa custar R$ 67,80. Mais que o dobro da conta ingênua. Essa diferença não é ganância, é o que separa faturar de lucrar.

Passo 1: quanto você precisa por mês

São dois números diferentes e vale muito não misturar. A retirada é o que você quer no seu bolso: aluguel de casa, mercado, escola, o seu salário. Os custos fixos do negócio são os que existem mesmo em mês parado: internet, celular, contador, softwares, aluguel de sala, seguro de equipamento.

Quem tem CNPJ e paga a si mesmo por pró-labore pode conferir quanto sobra depois do INSS e do IR na calculadora de pró-labore. Se a sua retirada precisa ser líquida na conta pessoal, coloque o valor bruto aqui.

Passo 2: as horas que dá para vender de verdade

O ano tem 52 semanas, e você não trabalha as 52. Tirando férias e feriados sobram umas 47, o que dá cerca de 157 horas por mês para quem trabalha 40 horas semanais.

Só que nem toda hora trabalhada é hora faturada. É a taxa de ocupação, e ela é a variável mais ignorada de todas. Prestador experiente, com agenda cheia e cliente recorrente, chega a 80%. O normal fica entre 60% e 70%. Quem está começando, ou vende muito para fechar pouco, fica em 35% ou 50%. Das 157 horas, sobram 102 para vender numa ocupação de 65%.

Se essa porcentagem parecer baixa, vale anotar por uma semana onde o tempo foi. Quase todo mundo se assusta.

Passo 3: imposto e margem entram por dentro do preço

Erro clássico: calcular o custo e somar 6% de imposto por fora. Não fecha, porque a alíquota incide sobre o preço final, e não sobre o custo. A conta certa é dividir pelo que sobra: preço igual a custo dividido por (1 menos impostos menos margem). É a mesma lógica da calculadora de markup, que os produtos usam para chegar no preço de venda.

Na porcentagem de imposto entra tudo que fica no caminho entre o cliente e você: o DAS do MEI, a alíquota do Simples (dá para achar a sua na tabela do Simples Nacional), a taxa da plataforma de freela, a maquininha, o boleto.

A margem é o que sobra para o negócio, não para você. É dela que saem o computador novo, o curso, o mês fraco e a reserva de emergência. Sem essa fatia, qualquer imprevisto vira dívida.

Cobrar por hora, por projeto ou por valor

Saber o valor da hora não obriga ninguém a vender por hora. Ele serve como régua interna. Na hora de propor, orçamento fechado costuma ser melhor para os dois lados: o cliente sabe quanto vai gastar e você não é punido por ficar mais rápido.

O caminho é estimar as horas do trabalho, multiplicar pela sua hora, somar uma folga para revisão e imprevisto, e apresentar um preço só. Dá para montar o documento no gerador de orçamento e formalizar no modelo de contrato de prestação de serviço.

E existe o terceiro nível: cobrar por valor. Se o seu trabalho faz o cliente ganhar ou economizar dez vezes o que você cobra, o preço não precisa ter relação nenhuma com o seu relógio.

Esse número é o seu piso

O resultado da calculadora é o mínimo que faz a conta fechar. Se o mercado paga mais que isso, cobrar o piso é deixar dinheiro na mesa. Se o mercado paga menos, o problema não se resolve baixando o preço: ou você corta custo, ou aumenta a ocupação, ou muda o tipo de cliente que atende.

Vale refazer a conta pelo menos uma vez por ano, e sempre que os custos subirem, o imposto mudar de faixa ou a sua agenda mudar de perfil. Preço parado por três anos é reajuste negativo disfarçado.

O que esta calculadora não faz

Ela não pesquisa quanto a sua área cobra, não considera sazonalidade, não separa cliente grande de cliente pequeno e não substitui olhar o próprio extrato. Se você vende produto e não hora, a página certa é a calculadora de preço de venda. E para saber quantas horas você precisa vender só para cobrir o custo do mês, o caminho é a calculadora de ponto de equilíbrio. 💙

Perguntas rápidas

Como calcular o valor da hora de trabalho?

Some quanto você quer receber por mês com os custos fixos do negócio, divida por (1 menos impostos menos margem, em decimal) para achar o faturamento necessário, e divida esse valor pelas horas que você realmente consegue faturar no mês. Com R$ 5.000 de retirada, R$ 800 de custos, 6% de imposto, 10% de margem e 102 horas cobráveis, a hora sai por R$ 67,80.

Quanto um freelancer deve cobrar por hora?

Não existe um valor único: depende da sua retirada, dos seus custos, do seu regime tributário e de quanto do seu tempo é cobrável. O que existe é um piso, que é o valor calculado aqui. Cobrar abaixo dele significa financiar o próprio trabalho.

Quantas horas por mês dá para faturar?

Bem menos que as 160 horas do mês cheio. Tirando férias e feriados sobram cerca de 157 horas para quem trabalha 40 horas por semana, e dessas só uma parte é cobrada do cliente. Numa ocupação normal, entre 60% e 70%, sobram cerca de 100 horas faturáveis por mês.

O imposto entra no valor da hora?

Entra, e por dentro do preço. Como a alíquota incide sobre o que o cliente paga, somar o imposto por fora deixa a conta curta. O certo é dividir o custo por (1 menos a alíquota), a mesma lógica do markup.

É melhor cobrar por hora ou por projeto?

Na maioria dos casos, por projeto. O cliente prefere saber o preço final e você não perde dinheiro por ficar mais rápido no que já domina. O valor da hora continua sendo a régua para estimar o preço fechado.

De quanto em quanto tempo devo reajustar o preço da hora?

Pelo menos uma vez por ano, e sempre que os custos fixos subirem, o faturamento mudar sua faixa no Simples ou a sua agenda mudar de perfil. Preço parado por anos é redução de preço na prática.

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