Calculadora de Capital de Giro

Quanto dinheiro precisa ficar parado dentro da operação para o mês fechar: a conta junta o prazo que o cliente demora a pagar, os dias de estoque e o prazo do fornecedor.

Prazo do cliente: se metade vende à vista e metade em 30 dias, a média é 15. Dias de estoque: quanto tempo passa entre a mercadoria chegar e sair pela porta. Prazo do fornecedor: quantos dias você tem para pagar quem te abastece. A reserva de caixa é a folga para o mês fraco, contada em dias de custo. Quem presta serviço e não tem estoque deixa os dias de estoque em zero.

Lucro no papel, conta no vermelho

Existe um tipo de aperto que confunde muito dono de negócio: a planilha diz que o mês fechou no lucro e o extrato diz que não tem dinheiro para pagar o fornecedor. Não é erro de conta e quase nunca é roubo. É capital de giro.

Capital de giro é o dinheiro que fica parado dentro da própria operação enquanto ela roda. Ele está na mercadoria que você já pagou e ainda não vendeu, e está na venda que você já fez e ainda não recebeu. Enquanto esse dinheiro estiver preso nesses dois lugares, ele não paga conta nenhuma.

Quanto mais o negócio cresce, maior fica esse valor preso. É por isso que empresa lucrativa quebra crescendo: cada venda nova aumenta o buraco antes de aumentar o caixa.

O ciclo financeiro: onde o dinheiro fica preso

Três prazos explicam quase tudo. Os dias em que a mercadoria fica parada no estoque, os dias que o cliente demora para pagar e os dias que o fornecedor te dá para pagar.

Os dois primeiros somados dão o ciclo operacional, o tempo entre a mercadoria entrar e o dinheiro dela voltar. Descontando o prazo do fornecedor, sobra o ciclo financeiro: os dias em que o dinheiro é seu e está na rua.

Uma loja que segura 30 dias de estoque, vende em 45 dias e paga o fornecedor em 20 tem ciclo financeiro de 55 dias. São quase dois meses de operação bancados do próprio bolso, todo mês, sem parar.

A conta da necessidade de capital de giro

A necessidade de capital de giro é o que está preso no cliente, mais o que está preso no estoque, menos o que o fornecedor está financiando para você.

Com faturamento de R$ 100 mil por mês, R$ 60 mil de mercadoria e aqueles três prazos, dá R$ 150 mil parados em contas a receber, R$ 60 mil em estoque e R$ 40 mil bancados pelo fornecedor. A necessidade fica em R$ 170 mil. É esse o valor que precisa estar disponível para o negócio girar como está girando hoje.

Repare que a conta não olha lucro. Um negócio pode ter margem excelente, medida na calculadora de margem de lucro, e ainda assim precisar de um capital de giro que ele não tem.

A reserva de caixa é outra coisa

Necessidade de capital de giro é o dinheiro preso no ciclo. Reserva de caixa é a folga para o susto: o mês fraco, o cliente que atrasou, a geladeira que queimou.

A régua mais usada é de 15 a 90 dias de custo. Quinze dias já tira o negócio da dependência do cheque especial; três meses é conforto de quem tem sazonalidade forte. Os dois valores somados dão o dinheiro que a empresa precisa ter disponível para dormir tranquila.

Cinco jeitos de precisar de menos

A calculadora mostra quanto cada dia vale. Numa operação de R$ 100 mil por mês, cada dia a menos no prazo do cliente devolve R$ 3.333 para o caixa. Não é pouco, e é a alavanca mais rápida que existe.

Encurtar o prazo do cliente. Desconto para pagamento à vista, sinal na assinatura do pedido, cobrança no ato da entrega. Vale medir quanto custa esse desconto antes de dar.

Girar o estoque mais rápido. Comprar menos e mais vezes, cortar o item parado, negociar entrega programada com o fornecedor.

Alongar o prazo do fornecedor. É a única alavanca que custa zero e quase ninguém pede. Fornecedor bom prefere prazo maior a cliente que some.

Cobrar melhor. Boa parte do prazo médio real não está no contrato, está no atraso. Uma régua de cobrança simples, com o modelo de carta de cobrança, encurta o ciclo sem mexer no preço.

Repassar o custo do prazo para o preço. Vender a prazo custa dinheiro, e esse custo cabe dentro do preço. Dá para dimensionar na calculadora de juros de parcelamento e embutir no markup.

Quando o empréstimo de capital de giro faz sentido

Financiar giro no banco não é derrota: é o produto mais comum do crédito para empresa, e existe porque o descasamento entre pagar e receber é normal. O que decide é a comparação entre o juro e o que sobra no mês.

Se o negócio precisa de R$ 212 mil e o banco cobra 2% ao mês, são R$ 4.250 por mês só de juro. Num negócio que deixa R$ 15 mil de sobra mensal, isso come quase um terço do resultado. Faz sentido se o dinheiro comprar crescimento; não faz nenhum se for para tapar um ciclo que dá para encurtar de graça.

O que raramente faz sentido é financiar giro no rotativo do cartão ou no cheque especial, onde a taxa costuma ser várias vezes maior. Para comparar propostas na mesma régua, a calculadora de juros converte tudo para a mesma base.

O que esta calculadora não faz

Ela mede a operação girando, não a largada: máquina, reforma, ponto e o primeiro estoque são investimento inicial, e entram em outra conta. Ela também não prevê sazonalidade, não separa cliente bom de cliente que atrasa e usa mês comercial de 30 dias.

Para saber quanto o negócio precisa vender só para cobrir os custos, o caminho é a calculadora de ponto de equilíbrio. Para conferir se o preço comporta os prazos que você pratica, a calculadora de preço de venda. 💙

Perguntas rápidas

O que é capital de giro?

É o dinheiro que fica parado dentro da operação para o negócio funcionar: o valor preso no estoque que você já pagou e ainda não vendeu, mais o valor preso nas vendas que você já entregou e ainda não recebeu, menos o que o fornecedor financia com prazo. Não é lucro nem investimento em máquina: é o combustível do dia a dia.

Como calcular a necessidade de capital de giro?

Some as contas a receber (faturamento diário vezes o prazo médio do cliente) com o estoque (custo diário da mercadoria vezes os dias de estoque) e subtraia o que o fornecedor financia (custo diário vezes o prazo de pagamento). Com R$ 100 mil de faturamento, R$ 60 mil de mercadoria, 45 dias de recebimento, 30 de estoque e 20 de fornecedor, a necessidade é de R$ 170 mil.

O que é ciclo financeiro?

É o número de dias em que o dinheiro é seu e está na rua. Some os dias de estoque com o prazo médio de recebimento e subtraia o prazo médio de pagamento ao fornecedor. Quanto maior o ciclo, mais capital de giro o negócio exige.

Quanto de capital de giro uma empresa precisa ter?

Depende dos prazos, não do tamanho. Negócio que vende à vista e compra a prazo, como padaria e supermercado, pode ter necessidade negativa e girar com o dinheiro do fornecedor. Já quem vende para empresa em 45 ou 60 dias costuma precisar de dois a três meses de operação parados.

Capital de giro é a mesma coisa que reserva de caixa?

Não. O capital de giro é o dinheiro preso no ciclo de compra, venda e recebimento. A reserva de caixa é a folga para imprevisto e mês fraco, normalmente de 15 a 90 dias de custo. Um negócio saudável precisa dos dois.

Como reduzir a necessidade de capital de giro?

Encurtando o prazo que o cliente demora a pagar, girando o estoque mais rápido, alongando o prazo do fornecedor e cobrando o atraso com disciplina. Numa operação de R$ 100 mil por mês, cada dia a menos no prazo de recebimento devolve cerca de R$ 3.333 para o caixa.

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