Calculadora de Juros de Parcelamento
Os dois lados do parcelamento: a taxa de juros que se esconde entre o preço à vista e o 12x, e quanto realmente cai na sua conta quando você vende parcelado no cartão.
Quanto de juro está embutido no parcelamento
Vendi parcelado no cartão: quanto sobra
O 12x sem juros que tem juros
A pergunta que abre essa conta é sempre a mesma: quanto custa o à vista? Se a loja cobra R$ 1.000 parcelado e R$ 900 no Pix, o parcelamento não é sem juros. Ele custa R$ 100, e esses R$ 100 estão cobrados em cima de um dinheiro que você ia pagando aos poucos.
Esse é o truque mais comum do varejo brasileiro. O preço anunciado já é o preço parcelado, e o desconto para pagamento à vista é o que revela o juro. Quem não pede o desconto paga o juro sem nunca ver a taxa.
Por que não dá para dividir o extra pelo número de parcelas
Um produto de R$ 1.000 à vista sai por 12 vezes de R$ 100, o que dá R$ 1.200. A conta intuitiva diz que são 20% de acréscimo dividido por 12 meses, algo perto de 1,67% ao mês. Está errado, e por muito.
A taxa real é de 2,92% ao mês, que equivale a 41,3% ao ano. A diferença aparece porque você não fica devendo os R$ 1.000 durante os doze meses: a dívida vai caindo a cada parcela paga, e o juro incide sobre o saldo que ainda existe, não sobre o valor cheio.
É a mesma lógica de qualquer financiamento, e é por isso que a calculadora resolve a conta de trás para frente: ela procura a taxa que faz as doze parcelas, trazidas para o dia de hoje, valerem exatamente o preço à vista.
Do outro lado do balcão: quanto sobra da venda em 12x
Quem vende também tem uma conta para fazer, e ela costuma doer mais. Uma venda de R$ 1.000 em 12 vezes, com taxa de maquininha de 12,5% e antecipação de 1,99% ao mês, deixa R$ 761,82 na conta. Perto de um quarto da venda ficou no caminho.
Duas coisas comeram esse dinheiro. A taxa da maquininha levou R$ 125, cobrados na hora. E a antecipação levou mais R$ 113, porque adiantar doze parcelas custa proporcional ao tempo de cada uma: a última parcela paga quase um ano de taxa.
Quem não antecipa não escapa: recebe uma parcela por mês, com o dinheiro chegando devagar enquanto o aluguel vence hoje. É a mesma perda em outro formato, e ela aparece toda no capital de giro que o negócio precisa ter parado.
O preço que empata com o Pix
Se a venda de R$ 1.000 no Pix deixa R$ 1.000 hoje e a mesma venda em 12x deixa R$ 761,82, o preço parcelado precisaria ser R$ 1.312 para os dois se equivalerem. É cerca de 31% a mais, e não 12,5%, que era a taxa que o vendedor da maquininha citou.
Daí saem as duas saídas honestas. Uma é dar desconto no Pix, do tamanho do que você economiza. A outra é embutir o custo do parcelamento no preço de tabela, o que se faz pelo divisor do markup ou direto na calculadora de preço de venda.
O que não funciona é somar a taxa por fora do custo. Como a maquininha cobra sobre o preço final, somar 12,5% em cima do custo deixa a conta curta sempre.
Antecipar ou esperar
Antecipar recebível é crédito, com outro nome. Faz sentido quando o dinheiro adiantado rende mais do que a taxa cobrada: compra de estoque com desconto à vista, aproveitar uma oportunidade, evitar juro maior no cheque especial.
Não faz sentido como rotina, para cobrir uma falta de caixa que se repete todo mês. Antecipação virou hábito quando o preço não comporta o prazo que o negócio pratica, e o conserto está no preço, não no adiantamento.
Quando parcelar é bom negócio
Para quem compra, parcelamento realmente sem juros é vantagem: o dinheiro fica mais tempo com você e a inflação corrói a parcela. Só vale confirmar que não existia desconto à vista escondido.
Para quem vende, parcelar costuma ser o que fecha a venda em ticket alto. O problema nunca é oferecer 12x. É achar que a venda de R$ 1.000 virou R$ 1.000 de caixa, e descobrir só no fim do mês que virou R$ 762.
O que esta calculadora não faz
A taxa embutida sai da comparação entre o preço à vista e as parcelas. O CET de um contrato de financiamento pode ser um pouco maior, porque ainda entram tarifa de cadastro, seguro e IOF. Do lado da venda, as taxas variam por bandeira, por adquirente e por faixa de faturamento: use as suas, tiradas do aplicativo da maquininha.
Para comparar propostas de crédito na mesma régua, a calculadora de juros converte taxa mensal em anual e vice-versa. 💙
Perguntas rápidas
Como calcular o juro embutido num parcelamento?
Compare o preço à vista com o fluxo das parcelas. A taxa é aquela que faz a soma das parcelas, trazidas para o valor de hoje, dar exatamente o preço à vista. Não dá para dividir o acréscimo pelo número de parcelas: essa conta subestima muito o juro real.
Qual o juro de 12x de R$ 100 num produto de R$ 1.000 à vista?
São 2,92% ao mês, o equivalente a 41,3% ao ano. A conta intuitiva de 20% divididos por 12 meses daria 1,67% ao mês e estaria errada, porque a dívida diminui a cada parcela paga e o juro incide sobre o saldo devedor.
Parcelamento sem juros existe?
Existe, mas só quando o preço à vista é igual ao total parcelado. Se a loja dá desconto para Pix ou dinheiro, esse desconto é o juro do parcelamento. Nesse caso o parcelado tem juro sim, ele só não aparece na etiqueta.
Quanto se perde vendendo em 12 vezes no cartão?
Numa venda de R$ 1.000 com taxa de maquininha de 12,5% e antecipação de 1,99% ao mês, entram R$ 761,82. São R$ 125 de taxa e cerca de R$ 113 de antecipação. Para essa venda deixar o mesmo que o Pix deixaria, o preço em 12x precisaria ser em torno de R$ 1.312.
Vale a pena antecipar recebíveis da maquininha?
Vale quando o dinheiro adiantado rende mais que a taxa cobrada, como comprar estoque com desconto à vista ou fugir de um juro maior no cheque especial. Não vale como rotina para cobrir falta de caixa que se repete: nesse caso o problema está no preço ou no prazo, não no adiantamento.
Como colocar a taxa do cartão no preço?
Por dentro do preço, nunca somada por fora. Como a maquininha cobra sobre o valor final da venda, o certo é dividir o custo por (1 menos a soma das taxas em decimal), a mesma lógica do markup. Somar a taxa em cima do custo deixa a conta curta sempre.
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