Calculadora de Juros de Parcelamento

Os dois lados do parcelamento: a taxa de juros que se esconde entre o preço à vista e o 12x, e quanto realmente cai na sua conta quando você vende parcelado no cartão.

Quanto de juro está embutido no parcelamento

Serve para compra parcelada, financiamento de equipamento, boleto do fornecedor em vezes e crediário. Se a loja dá desconto no pagamento à vista, o preço à vista é o preço com o desconto: é ele que revela o juro real do parcelamento.

Vendi parcelado no cartão: quanto sobra

A taxa da maquininha muda por bandeira e por número de parcelas: no crédito à vista costuma ficar entre 3% e 5%, e em 12 vezes passa de 12% em boa parte dos planos. Confira a sua no extrato do aplicativo da maquininha, não no que o vendedor prometeu. A taxa de antecipação é o que a adquirente cobra por mês para adiantar o dinheiro; se você não antecipa, use quanto o seu dinheiro renderia (ou custaria de juro) por mês.

O 12x sem juros que tem juros

A pergunta que abre essa conta é sempre a mesma: quanto custa o à vista? Se a loja cobra R$ 1.000 parcelado e R$ 900 no Pix, o parcelamento não é sem juros. Ele custa R$ 100, e esses R$ 100 estão cobrados em cima de um dinheiro que você ia pagando aos poucos.

Esse é o truque mais comum do varejo brasileiro. O preço anunciado já é o preço parcelado, e o desconto para pagamento à vista é o que revela o juro. Quem não pede o desconto paga o juro sem nunca ver a taxa.

Por que não dá para dividir o extra pelo número de parcelas

Um produto de R$ 1.000 à vista sai por 12 vezes de R$ 100, o que dá R$ 1.200. A conta intuitiva diz que são 20% de acréscimo dividido por 12 meses, algo perto de 1,67% ao mês. Está errado, e por muito.

A taxa real é de 2,92% ao mês, que equivale a 41,3% ao ano. A diferença aparece porque você não fica devendo os R$ 1.000 durante os doze meses: a dívida vai caindo a cada parcela paga, e o juro incide sobre o saldo que ainda existe, não sobre o valor cheio.

É a mesma lógica de qualquer financiamento, e é por isso que a calculadora resolve a conta de trás para frente: ela procura a taxa que faz as doze parcelas, trazidas para o dia de hoje, valerem exatamente o preço à vista.

Do outro lado do balcão: quanto sobra da venda em 12x

Quem vende também tem uma conta para fazer, e ela costuma doer mais. Uma venda de R$ 1.000 em 12 vezes, com taxa de maquininha de 12,5% e antecipação de 1,99% ao mês, deixa R$ 761,82 na conta. Perto de um quarto da venda ficou no caminho.

Duas coisas comeram esse dinheiro. A taxa da maquininha levou R$ 125, cobrados na hora. E a antecipação levou mais R$ 113, porque adiantar doze parcelas custa proporcional ao tempo de cada uma: a última parcela paga quase um ano de taxa.

Quem não antecipa não escapa: recebe uma parcela por mês, com o dinheiro chegando devagar enquanto o aluguel vence hoje. É a mesma perda em outro formato, e ela aparece toda no capital de giro que o negócio precisa ter parado.

O preço que empata com o Pix

Se a venda de R$ 1.000 no Pix deixa R$ 1.000 hoje e a mesma venda em 12x deixa R$ 761,82, o preço parcelado precisaria ser R$ 1.312 para os dois se equivalerem. É cerca de 31% a mais, e não 12,5%, que era a taxa que o vendedor da maquininha citou.

Daí saem as duas saídas honestas. Uma é dar desconto no Pix, do tamanho do que você economiza. A outra é embutir o custo do parcelamento no preço de tabela, o que se faz pelo divisor do markup ou direto na calculadora de preço de venda.

O que não funciona é somar a taxa por fora do custo. Como a maquininha cobra sobre o preço final, somar 12,5% em cima do custo deixa a conta curta sempre.

Antecipar ou esperar

Antecipar recebível é crédito, com outro nome. Faz sentido quando o dinheiro adiantado rende mais do que a taxa cobrada: compra de estoque com desconto à vista, aproveitar uma oportunidade, evitar juro maior no cheque especial.

Não faz sentido como rotina, para cobrir uma falta de caixa que se repete todo mês. Antecipação virou hábito quando o preço não comporta o prazo que o negócio pratica, e o conserto está no preço, não no adiantamento.

Quando parcelar é bom negócio

Para quem compra, parcelamento realmente sem juros é vantagem: o dinheiro fica mais tempo com você e a inflação corrói a parcela. Só vale confirmar que não existia desconto à vista escondido.

Para quem vende, parcelar costuma ser o que fecha a venda em ticket alto. O problema nunca é oferecer 12x. É achar que a venda de R$ 1.000 virou R$ 1.000 de caixa, e descobrir só no fim do mês que virou R$ 762.

O que esta calculadora não faz

A taxa embutida sai da comparação entre o preço à vista e as parcelas. O CET de um contrato de financiamento pode ser um pouco maior, porque ainda entram tarifa de cadastro, seguro e IOF. Do lado da venda, as taxas variam por bandeira, por adquirente e por faixa de faturamento: use as suas, tiradas do aplicativo da maquininha.

Para comparar propostas de crédito na mesma régua, a calculadora de juros converte taxa mensal em anual e vice-versa. 💙

Perguntas rápidas

Como calcular o juro embutido num parcelamento?

Compare o preço à vista com o fluxo das parcelas. A taxa é aquela que faz a soma das parcelas, trazidas para o valor de hoje, dar exatamente o preço à vista. Não dá para dividir o acréscimo pelo número de parcelas: essa conta subestima muito o juro real.

Qual o juro de 12x de R$ 100 num produto de R$ 1.000 à vista?

São 2,92% ao mês, o equivalente a 41,3% ao ano. A conta intuitiva de 20% divididos por 12 meses daria 1,67% ao mês e estaria errada, porque a dívida diminui a cada parcela paga e o juro incide sobre o saldo devedor.

Parcelamento sem juros existe?

Existe, mas só quando o preço à vista é igual ao total parcelado. Se a loja dá desconto para Pix ou dinheiro, esse desconto é o juro do parcelamento. Nesse caso o parcelado tem juro sim, ele só não aparece na etiqueta.

Quanto se perde vendendo em 12 vezes no cartão?

Numa venda de R$ 1.000 com taxa de maquininha de 12,5% e antecipação de 1,99% ao mês, entram R$ 761,82. São R$ 125 de taxa e cerca de R$ 113 de antecipação. Para essa venda deixar o mesmo que o Pix deixaria, o preço em 12x precisaria ser em torno de R$ 1.312.

Vale a pena antecipar recebíveis da maquininha?

Vale quando o dinheiro adiantado rende mais que a taxa cobrada, como comprar estoque com desconto à vista ou fugir de um juro maior no cheque especial. Não vale como rotina para cobrir falta de caixa que se repete: nesse caso o problema está no preço ou no prazo, não no adiantamento.

Como colocar a taxa do cartão no preço?

Por dentro do preço, nunca somada por fora. Como a maquininha cobra sobre o valor final da venda, o certo é dividir o custo por (1 menos a soma das taxas em decimal), a mesma lógica do markup. Somar a taxa em cima do custo deixa a conta curta sempre.

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