Calculadora de Receita por Funcionário
Veja quanto de faturamento e de lucro cada pessoa do seu time gera, quanto a folha come do faturamento e quanto sobra por pessoa depois de pagar o próprio salário.
O que a receita por funcionário responde
É a conta mais curta que existe sobre produtividade de uma empresa: faturamento dividido pelo número de pessoas que trabalham nela. Uma empresa que fez R$ 1.200.000 no ano com 8 pessoas gera R$ 150.000 por pessoa, ou R$ 12.500 por pessoa por mês.
Sozinho, esse número não diz quase nada. Ele começa a falar quando você compara com você mesmo: se no ano passado eram R$ 150.000 por pessoa e neste ano são R$ 128.000, o time cresceu mais rápido que a receita, e isso é uma decisão que alguém tomou sem perceber.
É também o indicador que mais aparece antes de uma empresa pequena travar. O padrão se repete: as vendas sobem, contrata-se para dar conta, as vendas sobem de novo, contrata-se de novo, e um dia o faturamento está o dobro e o lucro é o mesmo. A receita por pessoa mostra isso um ano antes do extrato mostrar.
Conte o sócio que trabalha
Esse é o erro que estraga a conta em empresa pequena. Se você e mais um sócio trabalham no negócio o dia inteiro e a conta considera só os três funcionários registrados, o indicador sai 66% maior do que é.
A regra é simples: entra na conta quem gasta tempo no negócio, com ou sem carteira assinada. Sócio que trabalha entra. Sócio que só botou dinheiro e aparece na reunião do mês não entra. Estagiário entra. Prestador que fatura por hora e faz parte da operação, tipo o designer que atende só você, entra também, senão você está terceirizando o indicador junto com o trabalho.
Meio período tem os dois caminhos, e a ferramenta deixa você escolher. Contar por cabeça é mais fácil de explicar para o time; contar por equivalente de tempo integral é mais fiel e é o que grandes empresas usam. O importante é escolher um e nunca mais mudar, porque a comparação com o ano passado é a única coisa que dá sentido ao número.
O múltiplo da folha é a parte que decide
Receita por pessoa mede escala. O que mede eficiência mesmo é a relação entre o que você paga e o que aquilo devolve: faturamento dividido pelo custo total de pessoal.
Se a folha completa (salário, encargos, benefícios e pró-labore) foi de R$ 420.000 no ano e o faturamento foi de R$ 1.200.000, cada R$ 1,00 de folha trouxe R$ 2,86 de receita. Esse número é bem mais comparável entre empresas que a receita por cabeça, porque ele já corrige a diferença entre quem paga bem e quem paga mal.
A leitura prática vem em seguida: depois de pagar o próprio custo, cada pessoa deixou quanto para cobrir aluguel, material, imposto e lucro? Se a resposta for pouco, o problema não está na despesa pequena que o contador sugere cortar. Está no preço ou no volume.
Comparar com o vizinho quase sempre engana
Revenda e distribuição faturam por pessoa muito mais que serviço, e isso não faz uma melhor que a outra: é que o custo da mercadoria passa inteiro pelo faturamento sem passar por gente nenhuma. Uma distribuidora de bebidas com 6 pessoas pode faturar R$ 400.000 por pessoa e ter margem de 6%. Uma consultoria com as mesmas 6 pessoas fatura R$ 180.000 por pessoa com margem de 30% e dá muito mais lucro.
Por isso, a comparação que vale é com empresas do mesmo ramo, do mesmo porte e da mesma região, e ainda assim com desconfiança. A comparação que sempre vale é com o seu próprio ano passado. E a que mais ensina é a receita por pessoa junto com o lucro por pessoa: faturar muito por cabeça com margem espremida é o desenho de uma empresa que trabalha para os outros.
O número caiu. E agora?
Antes de concluir qualquer coisa, olhe se a queda não é aritmética. Contratação nova derruba o indicador na hora: a pessoa entra na conta no primeiro dia e só entra na receita meses depois. Em time de cinco, uma contratação corta 17% do indicador sem que nada tenha piorado. O certo é medir de novo quando a pessoa já estiver no ritmo, e comparar sempre a mesma época do ano se o seu negócio tem sazonalidade.
Se a queda não é aritmética, existem só três saídas, e vale medir qual é a mais barata na sua realidade:
Preço. É a alavanca mais rápida e a que quase ninguém puxa. Subir preço aumenta a receita por pessoa sem mexer em mais nada, e num negócio de serviço costuma ser a única saída que não depende de contratar. A calculadora de preço de venda mostra o quanto o preço atual está deixando na mesa.
Volume com a mesma equipe. É automatizar o que é repetitivo, tirar o retrabalho e cortar o cliente que consome três vezes mais atendimento do que paga. A calculadora de produtividade mostra quanta capacidade a sua equipe ainda tem parada.
Mix. Trocar horas em serviço de margem baixa por serviço de margem alta muda o indicador sem mudar nem preço nem equipe.
Onde ele engana
Terceirizar melhora o número sem melhorar a empresa. Se você demite três pessoas e contrata uma empresa que faz o mesmo trabalho, a receita por funcionário dispara e o custo continua igual, ou pior. Por isso vale acompanhar o múltiplo da folha junto: ele não se deixa enganar por quem só troca o CNPJ de quem faz o serviço.
Ele não sabe o que é lucro. Uma empresa pode faturar R$ 300.000 por pessoa e dar prejuízo. O indicador mede escala do trabalho, e não resultado. Ele só serve acompanhado da margem.
Ele não vale como meta individual. Receita por funcionário é indicador de empresa. Transformar em meta de pessoa, num negócio em que o trabalho de um depende do outro, produz briga interna e nenhuma receita.
Combina com
Antes de contratar, a calculadora de custo de funcionário mostra o custo real da pessoa com todos os encargos, que é bem maior que o salário combinado. Para saber quanto o negócio precisa vender só para pagar as contas, o ponto de equilíbrio. E a calculadora de EBITDA monta a cascata do faturamento até o lucro, que é de onde sai a margem que dá sentido a este indicador.
Perguntas rápidas
Como calcular a receita por funcionário?
Divida o faturamento do período pelo número de pessoas que trabalham no negócio. Uma empresa que fez R$ 1.200.000 no ano com 8 pessoas gera R$ 150.000 por pessoa, ou R$ 12.500 por pessoa por mês. Conte os sócios que trabalham junto com os funcionários.
Qual é uma boa receita por funcionário?
Não existe número universal, porque ele muda demais por ramo: revenda fatura por pessoa muito mais que serviço, já que o custo da mercadoria passa inteiro pelo faturamento. A referência que sempre vale é o seu próprio ano anterior, e a que ajuda é o de empresas do mesmo ramo e porte.
O sócio entra na conta da receita por funcionário?
Entra, se ele trabalha no negócio. Deixar de fora dois sócios que trabalham o dia inteiro numa empresa de cinco pessoas infla o indicador em 66% e esconde exatamente o problema que ele existe para mostrar. Sócio que só investiu dinheiro não entra.
O que é o múltiplo do custo de pessoal?
É o faturamento dividido pelo custo total de pessoal, incluindo salário, encargos, benefícios e pró-labore. Ele diz quanto de receita cada real de folha traz de volta, e é mais comparável entre empresas que a receita por cabeça, porque já corrige a diferença entre quem paga bem e quem paga mal.
Por que a receita por funcionário caiu depois de uma contratação?
Porque a pessoa entra na conta no primeiro dia e só entra na receita meses depois. Em um time de cinco, uma contratação corta 17% do indicador sem que nada tenha piorado. Meça de novo quando a pessoa já estiver no ritmo, comparando sempre a mesma época do ano.
Terceirizar melhora a receita por funcionário?
Melhora o número, e nem sempre a empresa. Trocar três funcionários por uma empresa que faz o mesmo trabalho tira três pessoas da conta e mantém o custo. Por isso vale acompanhar junto o custo de pessoal sobre o faturamento, que não se deixa enganar por troca de CNPJ.
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