Modelo de Procuração

Preencha os dados e receba a procuração particular pronta para assinar, com o bloco de poderes certo para banco, INSS, veículo, imóvel ou empresa, os poderes especiais do art. 661 e o aviso de quando o caso exige cartório.

Procuração particular vale desde que tenha a assinatura do outorgante (art. 654 do Código Civil). Nada do que você digita sai do seu navegador. Antes de imprimir, confira se o lugar onde ela vai ser usada aceita procuração particular. Banco, cartório e Detran costumam exigir firma reconhecida, e alguns atos só valem por escritura pública: o resultado avisa quando o seu caso é um deles.

Procuração particular vale, e vale com a sua assinatura

Procuração é o instrumento do mandato: o papel em que alguém dá a outra pessoa poderes para agir em seu nome (art. 653 do Código Civil). E ela não precisa de cartório para existir. O art. 654 é direto: todas as pessoas capazes podem dar procuração por instrumento particular, “que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante”.

O que a lei exige é conteúdo, não formalidade. O § 1º do mesmo artigo lista cinco coisas que o instrumento tem que trazer: o lugar onde foi passado, a qualificação do outorgante e do outorgado, a data, o objetivo da outorga e a designação e a extensão dos poderes conferidos. Faltando qualquer um deles, a procuração fica vulnerável, e o balcão que a receber tem motivo para recusar.

Este gerador entrega os cinco preenchidos, e é por isso que a finalidade é um menu e não um campo de texto solto: ela troca o bloco de poderes inteiro.

A regra do art. 661, que derruba a maioria dos modelos

Esta é a parte que mais gera procuração inútil. O art. 661 do Código Civil diz que o mandato em termos gerais só confere poderes de administração. E o § 1º completa: para alienar, hipotecar, transigir ou praticar qualquer ato que exorbite da administração ordinária, “depende a procuração de poderes especiais e expressos”.

Ou seja: uma procuração que diz “confiro amplos, gerais e ilimitados poderes” não autoriza vender o carro, dar o imóvel em garantia ou fechar acordo num processo. Por mais generosa que a frase pareça, ela é genérica, e genérico é administração. O ato praticado sem o poder expresso é ineficaz em relação a quem deveria ter sido representado, pelo art. 662, salvo se essa pessoa depois ratificar.

Tem ainda um refinamento no § 2º que quase ninguém conhece: o poder de transigir não importa o de firmar compromisso. Quem pode fazer acordo não pode, só por isso, submeter a questão à arbitragem. São dois poderes distintos, e o gerador escreve isso na procuração quando você marca um e não o outro.

Quando o particular não serve e o cartório é obrigatório

O art. 657 manda a outorga do mandato seguir “a forma exigida por lei para o ato a ser praticado”. Cruzando com o art. 108, que exige escritura pública para os negócios sobre direitos reais em imóveis de valor superior a 30 salários mínimos, chega-se à regra prática mais importante desta página:

Procuração para vender, hipotecar ou dar em garantia imóvel acima desse valor tem que ser pública, lavrada em cartório de notas. A particular não serve, e o registro de imóveis não vai aceitar. Para administrar e alugar o mesmo imóvel, a particular serve tranquilamente. O gerador avisa quando a combinação que você escolheu cai nesse caso.

Firma reconhecida: não é obrigatória, mas pode ser exigida

O art. 654, § 2º resolve a dúvida de outro jeito: “o terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga a firma reconhecida”. Não é requisito de validade, é uma faculdade de quem vai confiar no documento.

Na prática, alguns lugares exigem quase sempre. Banco é o campeão de recusa: a maioria pede procuração pública ou o formulário próprio assinado na agência. Detran costuma exigir firma reconhecida. O INSS aceita procuração particular, mas tem instrumento próprio de representação e uma lista de documentos que precisa vir junto. Uma ligação antes de imprimir economiza a viagem e o cartório.

Substabelecer é passar os poderes adiante

Substabelecimento é o procurador transferir a outra pessoa os poderes que recebeu. Pode ser com reserva, quando ele mantém os poderes para si e só divide, ou sem reserva, quando ele sai de cena e o novo procurador assume. Pelo art. 655, o substabelecimento pode ser feito por instrumento particular mesmo quando a procuração original foi pública.

Se você não quer que isso aconteça, a proibição precisa estar escrita. O gerador tem as três opções e escreve a que você escolher, incluindo a vedação expressa.

Prazo, revogação e o cuidado com terceiros de boa-fé

O art. 682 lista o que faz o mandato cessar: revogação ou renúncia, morte ou interdição de qualquer das partes, mudança de estado que inabilite alguém, e o término do prazo ou a conclusão do negócio. Por isso vale escolher um prazo em vez de deixar aberto: procuração sem prazo continua valendo até alguém revogar, e revogar dá trabalho.

E aqui mora um risco real, no art. 686: a revogação notificada apenas ao procurador não pode ser oposta aos terceiros que, sem saber dela, trataram com ele de boa-fé. Traduzindo: avisar só o seu procurador que ele não é mais seu procurador pode não ser suficiente. Se ele usou o papel no banco, o banco de boa-fé está protegido, e a briga sobra para você. Ao revogar, comunique também os lugares onde a procuração foi usada, por escrito e com prova de recebimento.

Procuração para advogado é outro documento

A procuração para representar em processo judicial é a chamada ad judicia, tem cláusula própria e é o advogado quem apresenta o modelo dele. Este gerador cuida da procuração para atos da vida civil e administrativa, que é o que a pessoa comum precisa quando não pode ir ao banco, ao Detran, à Junta Comercial ou ao INSS.

Combina com

Se o procurador vai administrar um imóvel alugado, o modelo de contrato de aluguel monta o contrato residencial ou comercial com a cláusula de prazo certa. Quando o que o balcão pede é comprovante de endereço, o caminho é a declaração de residência. Antes de imprimir, passe os documentos no validador de CPF e no validador de CNPJ: número errado na qualificação é o motivo mais bobo de uma procuração voltar.

Perguntas rápidas

Procuração particular tem validade sem cartório?

Tem. Pelo art. 654 do Código Civil, toda pessoa capaz pode dar procuração por instrumento particular, que vale desde que tenha a assinatura do outorgante. O que a lei exige é o conteúdo do § 1º: lugar onde foi passada, qualificação das duas partes, data, objetivo e a designação e extensão dos poderes.

Procuração com amplos e gerais poderes serve para vender um bem?

Não. Pelo art. 661 do Código Civil, mandato em termos gerais só confere poderes de administração. Para alienar, hipotecar, transigir ou praticar atos que exorbitem da administração ordinária, a procuração precisa de poderes especiais e expressos, escritos com todas as letras. O ato praticado sem esse poder é ineficaz, pelo art. 662.

Quando a procuração precisa ser pública, feita em cartório?

Quando o ato em si exige escritura pública, pela regra do art. 657. O caso mais comum é o do art. 108: negócios sobre direitos reais em imóveis de valor acima de 30 salários mínimos. Procuração para vender ou hipotecar imóvel nessa faixa tem que ser pública. Para administrar e alugar, a particular serve.

Preciso reconhecer firma na procuração?

Não é requisito de validade, mas pode ser exigida: o art. 654, § 2º, do Código Civil permite ao terceiro com quem o procurador for tratar exigir a firma reconhecida. Banco e Detran costumam exigir na prática. Confirme antes de imprimir, porque o cartório cobra por assinatura reconhecida.

O que é substabelecer uma procuração?

É o procurador passar adiante os poderes que recebeu. Com reserva, ele continua com os poderes e apenas divide; sem reserva, ele sai e o novo procurador assume. Pelo art. 655, o substabelecimento pode ser por instrumento particular mesmo quando a procuração original é pública. Para impedir, a proibição tem que estar escrita na procuração.

Como revogar uma procuração?

Comunicando o procurador por escrito, com prova de recebimento, e também os lugares onde ela foi usada. Isso é essencial por causa do art. 686: a revogação notificada só ao procurador não pode ser oposta a terceiros que trataram com ele de boa-fé sem saber da revogação. Bancos e órgãos costumam ter formulário próprio de revogação.

Quanto tempo vale uma procuração?

O que estiver escrito nela. Sem prazo, ela vale até ser revogada. O art. 682 lista as formas de cessação: revogação, renúncia, morte ou interdição de uma das partes, mudança de estado que inabilite alguém e o término do prazo ou a conclusão do negócio. Muitos órgãos, por política interna, recusam procuração com mais de 90 dias ou 1 ano de emissão.

Procuração serve para o INSS e para o banco?

Serve para o INSS, que aceita procuração particular, mas tem instrumento próprio de representação no Meu INSS e uma lista de documentos exigidos. No banco a chance de recusa é alta: a maioria pede procuração pública ou o formulário da própria instituição assinado na agência. Ligue antes de gastar com cartório.

Qual a diferença entre procuração e procuração ad judicia?

A ad judicia é a que dá poderes para representar em processo judicial e é apresentada pelo advogado, com cláusula própria. A procuração comum, como a deste gerador, serve para atos da vida civil e administrativa: banco, INSS, Detran, Junta Comercial, prefeitura, concessionária.

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