Calculadora de EBITDA

Informe faturamento, custos e despesas e veja o EBITDA, a margem EBITDA e a DRE em cascata até o lucro líquido.

Impostos sobre a venda são os que acompanham o faturamento: Simples, ISS, ICMS, PIS e Cofins (no Simples, use a alíquota efetiva, não a nominal do anexo). Despesas operacionais são aluguel, salários, pró-labore, marketing, contador e o resto do custo de manter a porta aberta, sem a depreciação, que entra no campo dela. IR e CSLL são o imposto sobre o lucro, e não os da venda.

O que o EBITDA mostra e o que ele esconde

EBITDA é a sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização. Em português de balcão: quanto a operação em si gerou, antes de entrar na conta o que o banco cobra, o que o governo leva do lucro e o desgaste dos equipamentos no papel.

A graça é isolar o negócio do resto. Duas padarias iguais, uma que comprou o forno à vista e outra que financiou em 36 vezes, fecham o ano com lucros líquidos bem diferentes e com o mesmo EBITDA. Se a pergunta é qual das duas vende pão melhor, o EBITDA responde. Se a pergunta é qual das duas termina o mês com dinheiro na conta, ele não responde.

A conta, linha por linha

A ferramenta monta a cascata inteira, do faturamento ao lucro líquido, e o EBITDA aparece no meio do caminho. Com os números que já vêm preenchidos:

Faturamento de R$ 500.000, menos R$ 30.000 de impostos sobre a venda, dá R$ 470.000 de receita líquida. Tirando R$ 240.000 de custo do que foi vendido, sobra R$ 230.000 de lucro bruto. Tirando R$ 150.000 de despesas operacionais, chega-se ao EBITDA de R$ 80.000, uma margem EBITDA de 17,02% da receita líquida.

Daí para baixo o número vai encolhendo: menos R$ 20.000 de depreciação, o lucro operacional fica em R$ 60.000; menos R$ 12.000 de juros e R$ 8.000 de IR e CSLL, o lucro líquido fecha em R$ 40.000. Metade do EBITDA sobreviveu até o fim da linha.

Existe o caminho contrário, de baixo para cima, que é o que aparece nos livros: pega o lucro líquido e soma de volta o IR e a CSLL, o resultado financeiro e a depreciação e amortização. Dá exatamente no mesmo número, e é o jeito mais rápido quando você já tem a DRE fechada na mão.

O pró-labore precisa estar na conta

Esse é o erro que estraga o EBITDA de negócio pequeno. O dono trabalha o dia inteiro na loja e tira dinheiro quando dá, sem lançar nada como despesa. O EBITDA sai lindo, porque o salário da pessoa mais cara da operação simplesmente não apareceu na conta.

Se você ainda não se paga um pró-labore, jogue nas despesas operacionais o que custaria contratar alguém para fazer o que você faz. Sem isso, o que você mediu não foi o negócio: foi o negócio mais o seu trabalho de graça. A calculadora de pró-labore ajuda a chegar num valor defensável.

EBITDA não é dinheiro no caixa

Tem quem chame o EBITDA de geração de caixa, e aí mora o perigo. Três coisas ficam de fora dele e todas as três saem do banco: a parcela do principal dos financiamentos (só o juro passa pela DRE), o que você investiu em máquina, reforma e veículo, e o dinheiro que fica preso em estoque e em cliente que ainda não pagou.

Dá para ter EBITDA de R$ 80.000 no ano e mesmo assim ficar sem saldo em novembro, se o negócio cresceu, o estoque dobrou e o cliente passou a pagar em 60 dias. Quem cuida dessa parte é a calculadora de capital de giro.

Qual é uma boa margem EBITDA

Depende do setor, e comparar a sua com a do vizinho de outro ramo não leva a lugar nenhum. Comércio que gira muito e ganha pouco por item vive bem com margem baixa; serviço com pouca estrutura costuma ter margem alta e não deveria se orgulhar tanto disso. A referência que presta é a sua mesma, no mesmo período do ano passado.

Uma coisa, porém, vale para todo mundo: EBITDA negativo não é problema de dívida nem de imposto. Trocar de banco, alongar o financiamento ou mudar de regime tributário não conserta. Ou o preço sobe, ou o custo cai, ou a estrutura encolhe.

EBITDA, EBIT e lucro líquido

Os três aparecem na mesma cascata, um abaixo do outro. O EBITDA é a operação antes da depreciação. O EBIT, também chamado de lucro operacional, é o EBITDA já com a depreciação descontada, ou seja, a operação pagando o desgaste do que ela usa. O lucro líquido é o que sobra depois de tudo, banco e imposto sobre o lucro incluídos, e é o único dos três que vira dividendo na sua mão.

Quando alguém mostra só o EBITDA, vale perguntar pelos outros dois. Não é desconfiança gratuita: é que o EBITDA foi feito exatamente para deixar de fora as três linhas que mais doem.

Combina com

Para olhar o mês inteiro de outro ângulo, a calculadora de margem de lucro entrega a bruta e a líquida, e a margem de contribuição desce ao nível do produto. Para saber quanto o mês precisa vender antes de sobrar qualquer coisa, o ponto de equilíbrio resolve.

Perguntas rápidas

O que é EBITDA?

É o lucro da empresa antes de juros, impostos sobre o lucro, depreciação e amortização. A ideia é mostrar quanto a operação gera por si só, sem a influência de como o negócio foi financiado, de quanto ele paga de imposto sobre o lucro e do desgaste contábil dos equipamentos.

Como calcular o EBITDA?

Pela cascata: receita líquida menos o custo dos produtos ou serviços vendidos dá o lucro bruto; menos as despesas operacionais (sem contar a depreciação) dá o EBITDA. Uma receita líquida de R$ 470.000, com R$ 240.000 de custo e R$ 150.000 de despesas, fecha em R$ 80.000 de EBITDA. Também dá para chegar lá de baixo para cima: lucro líquido mais IR e CSLL, mais o resultado financeiro, mais depreciação e amortização.

O que é margem EBITDA?

É o EBITDA dividido pela receita líquida, em porcentagem. R$ 80.000 de EBITDA sobre R$ 470.000 de receita líquida dá 17,02%. Ela serve para comparar períodos do mesmo negócio ou empresas do mesmo setor, já que o valor absoluto muda com o tamanho.

Qual a diferença entre EBITDA e lucro líquido?

O lucro líquido é o que sobra depois de absolutamente tudo, inclusive juros, imposto sobre o lucro e depreciação. O EBITDA para antes dessas três linhas. Por isso ele é sempre maior, e por isso empresa endividada gosta tanto de mostrar EBITDA.

EBITDA é a mesma coisa que geração de caixa?

Não, e essa confusão custa caro. O EBITDA ignora a parcela do principal dos financiamentos, o dinheiro gasto em investimento e o que fica preso em estoque e em contas a receber. Dá para ter EBITDA positivo e conta no vermelho no mesmo mês.

O pró-labore entra no cálculo do EBITDA?

Entra, como despesa operacional. É o erro mais comum em negócio pequeno: o dono não se paga um valor fixo, nada é lançado, e o EBITDA aparece inflado. Se você não tira pró-labore, coloque na conta quanto custaria contratar alguém para fazer o seu trabalho.

Empresa do Simples Nacional consegue calcular EBITDA?

Consegue. O caminho prático é tratar o DAS inteiro como imposto sobre a venda, já que ele é calculado sobre o faturamento. Tecnicamente o DAS carrega dentro dele uma parcela pequena de IRPJ e CSLL, que num cálculo rigoroso voltaria para o EBITDA. Para acompanhar o próprio negócio mês a mês, o que importa é usar sempre o mesmo critério.

EBITDA negativo, o que fazer?

EBITDA negativo quer dizer que a operação consome dinheiro antes mesmo de entrar juro, imposto ou depreciação na conta. Renegociar dívida ou mudar de regime tributário não resolve, porque o problema não está lá. As saídas são preço, custo variável ou tamanho da estrutura fixa.

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